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04/01/2010 - 09h26

Com retorno do consumo, inadimplência corre risco de voltar a subir em 2010

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Com receio de que a economia poderia piorar e do endurecimento de renegociação das dívidas, os consumidores deixaram alguns débitos de lado. Com isso, as taxas de inadimplência alcançaram patamares que ultrapassaram os 10% em 2009.

A partir de maio, no entanto, os níveis de endividamento foram regredindo e alcançaram queda de 0,5% em outubro.
Para 2010, a expectativa é a de que ainda haja quedas - ao menos no primeiro semestre.

"A inadimplência registrou um aumento no começo do ano, porque as pessoas tinham dificuldade de renegociar as dívidas. Com o crédito escasso e prazos curtos não havia condições para renegociação", explica o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo. "Na medida em que o crédito foi voltando ao mercado, com prazos mais longos e juros mais baixos, a renegociação passou a ser facilitada".


Segundo ele, a tendência é que as taxas continuem em queda.
"Acho que em 2010, principalmente no primeiro semestre, a gente continua com um quadro bastante favorável de inadimplência", acredita o gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Ele concorda que as taxas de endividamento alcançaram patamares altos no ano passado, mas o retorno de um cenário mais favorável está aliviando o bolso dos consumidores, que estão mais propensos à renegociar os débitos.


Segundo semestre preocupante

Porém, Rabi não vê o segundo semestre de 2010 da mesma forma que enxerga o primeiro.
Para ele, se o crédito ao consumo, que está crescendo fortemente neste semestre, continuar neste ritmo, é inevitável que o endividamento cresça na mesma proporção.

"A velocidade de endividamento não está sendo acompanhada pela velocidade do aumento da renda", explica.
"O comprometimento das pessoas está crescendo mais que a própria renda. Acho que temos um risco de termos um segundo semestre de 2010 em que a inadimplência, que hoje está em queda, comece a demonstrar sinais de elevação", analisa.

Solimeo também acredita em aumento e vê a inadimplência crescendo na mesma proporção do crédito no próximo ano. Porém, ele não acredita em grandes diferenças frente a 2009.


Para Solimeo, o endividamento crescerá na medida em que o emprego e a renda continuam crescendo. "Todo ano tem aumento da inadimplência, mas, desde que ele seja proporcional ao aumento das vendas, não significa um aumento em termos relativos. Por enquanto não há razão para uma preocupação maior com a inadimplência", pondera.


Rabi analisa de outra forma e acredita que o aumento exagerado das concessões de crédito pode fazer o endividamento aumentar a patamares preocupantes.


"O risco de inadimplência sempre existe e muitas vezes ele pode até comprometer o bom momento que a gente está vivendo hoje", avalia. "Há risco para 2010 de os consumidores esticarem um pouco a corda e os bancos esticarem também, além do que deveriam".


Apesar dessa análise, o especialista da Serasa prefere ver o quadro da inadimplência com cuidado.
"Vamos observar. Por enquanto as coisas estão indo bem, mas precisamos de cautela diante dessa euforia em termos de crédito e de consumo que se formou, principalmente agora neste fim de ano", avisa.

Fonte: InfoMoney
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