27/01/2010 - 08h58
Sobrou dinheiro, é hora de investir
Depois de ajustar seu orçamento, é o momento de começar a fazer sua grana render
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Por Adriana Aguiar
Você colocou todos os seus gastos em uma planilha, viu onde era possível cortar despesas e conseguiu se organizar financeiramente. Agora é hora de fazer seu dinheiro render. Com depósitos mensais de 200 reais, ao longo de dez meses, você vai conseguir multiplicar sua grana para valores entre 2.000 e 2.600 reais, dependendo da aplicação que você escolher. Só é preciso ter disciplina para não falhar nos aportes mensais e escolher o melhor produto financeiro para você: caderneta de poupança, título público, fundos de renda fixa ou de ações. Sabe aquela história de ficar rico por meio de uma grande tacada financeira? É falsa.
Para fazer o dinheiro crescer, você tem de aprender a ter disciplina, diz William Eid, consultor financeiro e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Segundo a consultora Viviane Farah Ferreira, da LLA Investimentos, de São Paulo, uma maneira fácil de garantir os depósitos mensais é a transferência automática de parte do salário (200 reais, 500 reais ou 1.000 reais), diretamente para o seu investimento.
Outra maneira é fazer um balanço no final do mês de tudo o que recebeu, gastou e o que sobrou. No dia seguinte, você faz a aplicação financeira. Difícil mesmo é a escolha do produto que receberá suas aplicações. "a família perde semanas ou meses pesquisando o carro que vai comprar ou o apartamento adequado. Com fundos de investimentos é a mesma coisa. É preciso verificar a solidez dos bancos, das administradoras de recursos e das corretoras. Depois comparar as taxas que incidem em cada produto, pesquisar na internet, ler os guias publicados sobre o assunto. Tudo requer dedicação e tempo", diz William Eid.
O QUE RENDE MAIS?
O mais comum é a pessoa começar investindo na caderneta de poupança, pois o acesso a ela é muito simples. Qualquer instituição financeira abre uma poupança sem nenhum custo. Além disso, todos os seus amigos e parentes conhecem a caderneta, que é famosa por estar livre de taxas e, por enquanto, sem cobrança de Imposto de Renda (IR).
Se você optou pela poupança e aplicou 200 reais todo dia primeiro, de janeiro a outubro de 2009, acumulou 2.063 reais. A rentabilidade média da poupança no mês foi de 0,57%, segundo simulação feita pela corretora Souza Barros, de São Paulo. A poupança, no longo prazo, apresenta a menor rentabilidade, enquanto o fundo de ações, tendo o Ibovespa como referência, teve o rendimento mais atrativo no período analisado.
Nos dez meses de 2009, a aplicação mensal de 200 reais em ações resultou em 2.634 reais, com rentabilidade de 5,06%. Este percentual calculado sobre um aporte inicial de 5.000 reais, por exemplo, mais os depósitos mensais de 200 reais, somariam 10.119 reais no encerramento do prazo. Nota-se que quanto maior o aporte inicial, maior o patrimônio ao longo do tempo, desde que mantida a continuidade das aplicações mensais de 200 reais.
O economista Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros, em São Paulo, ressalta que quanto menor o tempo de aplicação na renda variável, em ações, maior o risco. Considerando que você tenha depositado 200 reais mensais, durante cinco anos, com a última parcela em outubro de 2009, a rentabilidade do fundo de ações indexado ao Ibovespa seria de 167%, mesmo com a crise financeira do ano passado. "A aplicação de longo prazo permite pegar o ciclo de queda e o ciclo de alta dos preços dos ativos, diluindo as perdas de curto período", explica o economista.
TÍTULOS DO GOVERNO
Quem é avesso ao risco das ações tem como alternativa os títulos do governo federal. Uma boa opção é a Nota do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B). Bastam 200 reais para comprar os papéis do governo por meio da internet (tesouro.fazenda.gov.br). A aplicação mensal de 200 reais na NTN-B, com vencimento em maio de 2011, resultaria em 2.142,31 no período de janeiro a outubro de 2009. A rentabilidade média mensal de 1,27% só perde para a renda variável. Além da taxa de corretagem, paga sobre o valor da compra do título público, o investidor terá de pagar uma taxa de custódia de 0,4% ao ano sobre o valor da compra à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Também há a incidência de IR sobre o rendimento do título.
Algumas instituições financeiras cobram 4% para permitir o acesso da pessoa física ao Tesouro Direto. Fuja delas porque o rendimento será menor. Também é preciso prestar atenção à taxa de administração cobrada nos fundos de renda fixa DI. "Eles só são interessantes se tiverem taxa de administração inferior a 1%. Nos grandes bancos, este percentual só é aplicado em patrimônios superiores a 50.000 reais", afirma Viviane, da LLA Investimentos.
Então, é melhor você acumular recursos em outros produtos financeiros antes de optar por um fundo de renda fixa DI, que pode ter rentabilidade próxima da caderneta de poupança se forem descontados do rendimento a alta taxa de administração e o Imposto de Renda a ser pago, diz Viviane.
Fonte: Você S/A